Search Trends: Tendências de Busca e Comportamento do Consumidor em Supermercados Online

12/05/2020 | Artigo


Não é novidade que a pandemia de Covid-19 provocou a necessidade de criar novos hábitos, e alguns setores, como o de supermercados, foram fortemente impactados pelas mudanças. Como isso impacta os negócios e o que esperar do futuro? A seguir apresentaremos uma análise do cenário do comportamento do consumidor com base em dados de busca, seguido de tendências possíveis e oportunidades para o setor na pós-pandemia.

O isolamento social necessário durante a pandemia fez com que as pessoas criassem a necessidade de se reinventar. Pesquisas por “Como fazer pão”, “receitas”, “como fazer álcool gel” e “chá de bebê virtual” são apenas alguns dos exemplos que estiveram em alta nas últimas semanas, segundo o Google Trends. O comportamento dos consumidores está diferente neste período e os resultados das tendências de busca refletem este cenário. Em consequência, empresas de todos os segmentos precisam se adaptar a uma realidade em que os consumidores são mais digitais do que nunca.

Entre os negócios que crescem em meio à crise, destacamos os supermercados. Como as novas tendências globais refletem nas compras e nas buscas nesse segmento? Presenciamos uma corrida por produtos de higiene e limpeza, bem como alimentos essenciais. Vimos o fechamento de lojas físicas e cada vez menos pessoas nas ruas. A realidade mudou rapidamente, as necessidades evoluíram e, nessa transformação em que as novas medidas de proteção e combate ao vírus Sars-Cov-2 são essencialmente comportamentais, o digital se tornou a nova forma de manter o mundo girando.

Os segmentos que cresceram online e o boom do delivery

Com o digital em foco, o tráfego orgânico é impulsionado principalmente em categorias essenciais para essa nova realidade. Os acessos provenientes de mecanismos de busca tiveram variação positiva em sites de investimentos, supermercados e farmácias.

Entretanto, mais do que isso, saíram na frente os negócios que já possuíam o serviço de delivery – e quem ainda não possuía precisou se adaptar. De acordo com a OpinionBox, 65% dos brasileiros deixaram de frequentar lojas físicas como forma de prevenir o contágio por coronavírus.

O interesse de busca pelo termo “delivery” vem sofrendo flutuações desde o início da pandemia, porém, o pico de popularidade ocorreu logo após a confirmação do primeiro óbito por coronavírus no Brasil. O volume de buscas pelo termo passou de 90,5K em março do ano passado para 450K em março de 2020.

Com a evolução dos casos, vimos que o interesse pelo termo teve uma leve diminuição na popularidade e agora encaminha-se para um cenário de estabilização. Ainda assim, o interesse de busca por “delivery” segue alto e podemos inferir uma possível mudança de comportamento para o futuro pós-pandemia, em que serviços de entrega sigam sendo utilizados em maior escala.

Faça download do Dashboard Search Trends para explorar os dados no detalhe e continue lendo para entender os insights e previsões mais aprofundadas.

 

Supermercados online: essenciais sem sair de casa

O crescimento de usuários de supermercado online foi de 25% (OpinionBox), e o aumento das visitas aos sites das categorias cresceu 37% na comparação com o ano passado. Todo esse crescimento se deve principalmente à criação dos novos hábitos – 31% deixaram de ir ao supermercado físicos e 61% deixaram de frequentar restaurantes e bares. 

A procura por alimentos básicos e itens de higiene e limpeza sem sair de casa resultou em um aumento como nunca visto antes nas pesquisas por “delivery supermercado”. O volume de buscas para o termo cresceu mais de 8000% em relação ao ano passado.

Os principais beneficiários deste crescimento foram as grandes redes de mercados:

  • Carrefour (+37,65% de tráfego):
  • Extra (+15,78% de tráfego): 
  • Pão de Açúcar (+100,64% de tráfego); 

Players menores também obtiveram um grande aumento no fluxo usuários em seus domínios, alguns tendo apresentado crescimentos proporcionalmente maiores que grandes Players, como é o caso de Sonda Delivery e seu aumento de 436,22% em tráfego.

Quais as tendências de busca para os supermercados online?

Metodologia

Sabemos que a pandemia ocasionou uma corrida aos supermercados e que o delivery chegou a um patamar altíssimo impulsionado pelas medidas de isolamento social. Agora, precisamos entender quais são as tendências em search para a categoria e avaliar, no detalhe, a demanda de busca. 

Antes de mais nada, traçamos um panorama de acontecimentos e evolução do coronavírus versus as pesquisas que estão em alta e o momento em que a busca pelos principais produtos atingiu seu pico. Com isso, pode ser possível entender as fases desses novos comportamentos e projetar as tendências para em um mundo que caminha para o “novo normal”.

Resultados

Da mesma forma que o interesse de busca para “delivey”, o nicho de mercados acompanhou a mesma tendência — registramos os primeiros picos de popularidade para os termos “supermercado online”, “mercado delivery” e “delivery supermercado” logo após o registro das primeiras fatalidades por Sars-Cov-2 no país. 

Necessidades imediatas de higiene e limpeza

Apesar das consultas relacionadas a entregas de mercado só terem atingido pico após um maior número de casos, quando de fato entraram em vigor várias medidas de isolamento, vimos a busca por produtos de higiene e limpeza já em uma fase anterior – as pesquisas por “álcool gel” saíram de praticamente zero no final de fevereiro, dispararam após os primeiros casos de Covid-19 e atingiram o maior índice de interesse de busca no início da segunda quinzena de março. 

Além do álcool gel, também vimos nessa fase uma corrida por produtos como papel higiênico, desinfetante e sabonete, que apresentaram crescimento também no volume de busca (YoY):

  • Álcool em gel: +22.526%
  • Produtos de limpeza e papel higiênico: +234%
  • Sabonete líquido: +233%

Adotando medidas para estabelecer uma rotina

Saindo dessa primeira fase, presenciamos uma transição para um cenário onde a busca por alimentos essenciais começou a despontar, com termos como “leite”, “arroz” e “feijão” atingindo maior demanda logo após o primeiro pico de interesse por termos genéricos “supermercado online”. Após uma primeira fase de incertezas e busca por itens de prevenção, entramos em um momento de maior preocupação a alimentos básicos e o que as mudanças no cotidiano implicam.

À medida que os números da Covid-19 passam a subir, vemos pessoas passando cada vez mais tempo em casa e recriando seu dia-a-dia. De acordo com a OpinionBox, 33% começaram a cozinhar em casa. Vimos esse comportamento também nas pesquisas em alta, como a busca “como fazer pão” e “receitas”, que atingiram níveis recorde de interesse de busca desde 2004

O papel dos supermercados no meio digital torna-se apoiar os consumidores, que passaram a procurar maneiras criativas de manter ou estabelecer suas rotinas, em todos os pontos da sua jornada, desde a compra até a busca por informações e conteúdos.

Comportamentos emergentes e novos hábitos

No final de março, após o pico da busca por alimentos básicos, foi identificado um crescimento de interesse por termos relacionados a frutas e hortifruti, caracterizando — em conjunto com o aumento significativo de pesquisas por “exercícios em casa” – uma tendência de busca por estilos de vida mais saudáveis na quarentena.

Dados da OpinionBox retratam 24% de aumento no consumo de frutas e verduras e que 21% dos entrevistados acreditam que sua alimentação mudou para melhor. O crescimento do hortifruti online representa uma transformação significativa considerando que, no cenário pré pandemia, essa categoria era a que menos se vendia online, pois existia o desejo de se escolher os produtos ao vivo.

O que os supermercados online podem esperar para o cenário pós Covid-19?

Algumas mudanças vieram para ficar: segundo a OpinionBox, 49% pretendem manter o hábito de fazer as compras de supermercado por delivery. A crise ressaltou ainda mais a importância do e-commerce e abriu as portas para as compras online em categorias que ainda eram pouco adeptas ao modelo digital.

Uma proporção considerável do comportamento de busca adotado a curto prazo durante a pandemia também deve se tornar permanente. As buscas relacionadas ao estilo de vida, caracterizadas pelo isolamento social e a realização de atividades de forma remota devem permanecer, ainda que em menor escala.

  • Mudança na demanda e forma que as buscas estão sendo realizadas: se antes os mercados precisavam se preocupar em como apresentar o seu ponto físico, agora precisam atender a mais intenções de busca como “delivery” e “online”. A intenção de busca por trás do termo “supermercado” fica ainda mais fracionada;
  • Compra de FLV (frutas, legumes e verduras): poder escolher produtos perecíveis na loja física era um benefício da compra em loja física. A comodidade de ter hortifruti entregue em casa sugere que as pessoas sigam procurando e comprando essa categoria de casa mesmo após o fim da pandemia;
  • Preparo de comida em casa: a volta ao preparo do alimento de casa deve seguir também, introduzindo novos hábitos de busca relacionados a receitas e alimentos de forma geral. Além disso, a tendência de comer em casa também tende a aumentar as buscas por produtos de limpeza como detergente e luvas, por exemplo.

Quais as oportunidades para os negócios?

Considerando as possíveis mudanças de comportamento apresentadas, podemos projetar algumas oportunidades:

  • Digital Trade Marketing

Com essa forte migração para o online, executivos do setor de supermercados precisam ter mais atenção à disciplina de Digital Trade Marketing, estruturando suas lojas online para que seja possível coletar, monitorar e analisar dados relevantes sobre a jornada dos cliente e, a partir deles, promover ações certeiras para engajá-los na fase de consideração e conversão quando estiverem procurando por um produto e mais suscetíveis a tomar uma decisão de compra. As estratégias tão famosas e eficazes da tradicional área de Trade Marketing precisam ser adaptadas e adequadas a esse novo consumidor digital.

  • Capacitação dos Shoppers

É importante que os colaboradores (shoppers) que fazem as compras para os usuários sejam treinados recebendo mais informações e capacitação para maior aderência dos produtos à lista e consequente satisfação dos clientes. Os shoppers podem ser treinados para escolher produtos perecíveis de acordo com o pedido, ou substituição mais adequada de produtos em falta (similares) e até mesmo atuarem como consultores especializados e personalizados, auxiliando os clientes durante a compra e coleta de produtos.

  • Parcerias com outros players relacionados

Com novos hábitos sendo adquiridos, como a realização de mais refeições em casa, uma série de eventos também são contemplados: do preparo, passando pelo serviço e até a limpeza. Essa cadeia pode ser muito interessante no estabelecimento de parcerias entre os supermercados e empresas de utensílios domésticos, artigos de decoração e até mesmo equipamentos mais sofisticados como lava-louças, lixeiras elétricas, trituradores de lixo orgânico para pia. Os supermercados podem estabelecer parcerias com outros players para a promoção de iniciativas como cupons de desconto, acesso a ofertas exclusivas, novidades, lançamentos em primeira mão para seus clientes criando um círculo virtuoso entre consumidores e marcas parceiras.

Os supermercados devem usar o que aprenderam nesses tempos de incerteza para fortalecer suas ofertas de e-commerce e atendimento. Investimentos importantes a serem considerados incluem: retirada do pedido online na loja física, mais opções de pagamento sem contato (contactless payment) e novas maneiras de gerenciar a demanda da cadeia de suprimentos:

“Definitivamente, vemos que os consumidores estão cada vez mais online e minimizando as suas interações offline na loja. Acreditamos que essa será uma mudança contínua e duradoura no comportamento do consumidor. Serão beneficiados os supermercados que possuem infraestrutura robusta de e-commerce e os varejistas que seguirem puramente offline devem ser mais desafiados.”Victor Rosenman, CEO da Feedvisor, uma plataforma de IA para vendedores da Amazon. (fonte).

Diante de um “novo normal”, é esperado que os consumidores mantenham-se cautelosos em relação a medidas de proteção mesmo após a pandemia. Conforme dados da OpinionBox, 66% irão continuar tendo mais cuidado com higiene. O delivery e entregas sem toque vão seguir tendo relevância nas compras e seguir sendo um desafio para os negócios, assim como as consultas e pesquisas seguirão mudando de forma acelerada à medida que novos comportamentos sejam necessários. As empresas precisam estar preparadas para isso de uma forma amigável tanto para a experiência do usuário quanto para o rastreamento de robôs de buscadores.

Autores:

 

Fontes: 

Cadastra | Dashboard Search Trends

Google Trends | Coronavírus: Tendências de Busca

OpinionBox | Pesquisa Coronavírus (COVID-19)

Ministério da Saúde | Painel Coronavírus

SimilarWeb