O intraempreendedorismo e seu papel na transformação digital

07/06/2021 | Artigo


Muito se fala em como a transformação digital deve vir aliada à transformação na cultura da empresa. Mas tem um importante ator no meio desse processo: o intraempreendedorismo.

Descrita pela primeira vez na década de 80, a prática tem ganhado força nos últimos anos dentro das organizações justamente pelas vantagens que traz aos negócios em todas as suas frentes. Como o próprio nome diz, o intraempreendedorismo é o sistema em que os princípios do empreendedorismo são praticados dentro dos limites de uma empresa. É aproveitar as mentes de dentro que convivem diariamente com a realidade interna para inovar. O intraempreendedorismo é um importante conector de uma série de características fundamentais para o processo de inovação: colaboração, capacitação, flexibilidade e muitos outros.

As vantagens são claras: um estudo aponta que a promoção de uma cultura intraempreendedora se traduz diretamente em redução do tempo de chegada ao mercado de novos produtos e serviços, impulsionando o crescimento da receita e redução de custos e melhorando os processos de negócios. Os intraempreendedores ainda contam com uma série de privilégios em relação aos empreendedores de startups, por exemplo. Sob o guarda-chuva das grandes empresas, têm mais cobertura regulatória, mais dados e rotas potencialmente mais fáceis para o mercado e mais facilidade de absorver erros ao longo do caminho. 

A retenção de talentos também é um dos resultados gerados pelo intraempreendedorismo. Pesquisa mostra que ser intraempreendedor tende a elevar o engajamento do funcionário e as pontuações de produtividade, melhorando o bem-estar do colaborador. E, segundo um outro estudo, o engajamento do funcionário afeta de forma consistente os principais resultados de desempenho, como a lucratividade da empresa, independentemente do setor.

No entanto, implantar uma cultura inovadora e intraempreendedora não acontece do dia para noite. O comprometimento dos líderes é fundamental para o processo, criando opções administrativas mais autônomas; estimulando o trabalho em equipe; incentivando a discussão aberta; e tratando o erro com tolerância. Segundo pesquisa, os intraempreendedores mais bem-sucedidos ainda vêem a política corporativa como parte do desafio que precisam enfrentar para ter sucesso. Um caso conhecido é do engenheiro da Kodak. Teve seu projeto de câmera digital barrado pela empresa. Anos depois, a companhia decretou falência justamente pela nova indústria digital. Se a inovação ficar restrita aos líderes, dificilmente se cria uma cultura inovadora.

Para a Harvard Business Review, “a inovação deve ser reconhecida como uma função permanente de uma empresa de sucesso, assim como outras funções de negócios, como contabilidade, operações, vendas e finanças”. O intraempreendedorismo é fundamental para criar esse caminho. Mais de 70% das inovações transformadoras foram concebidas e desenvolvidas por funcionários que trabalham em grandes empresas. Só ver o Google. Gmail, Google News e AdSense são só algumas das soluções criadas por intraempreendedores da big tech. 

As empresas precisam de equipes autônomas e mais horizontalidade para inovar. E os intraempreendedores podem ser os autores que juntam essas peças para transformar a cultura empresarial, fortalecendo os diferenciais do negócio.